
Estava voando à 70% da velocidade da luz...
Voava lacrimejante entre estrelas, na direção oposta ao amor que sente e aposta. Pagou para ver e sobreviveu.
Arde um amor que não se alimenta de presença e que cresceu na falta.
Nesse exato momento, passa por uma área de turbulência e não sente medo. Turbulenta é a vida, as apostas, os desejos e derrotas.
Seria mesmo doce morrer no mar? Seria talvez essa forma de se matar um amor, o afogando no sal que não de lágrimas? Seria o alívio da língua, para a recusa da boca oferecida, como quem se oferta uma flor?
Belo, pensa, mas não cultiva margaridas por receio de secá-las. Prefere cultivar as bromélias e cactus. Espinhos não ferem além da carne.
Agora plana no céu ,assim como planam aéreos os seus planos, e da janela não lhe assusta a noite escura... Sente muito, sente tudo e se sente só. Paraísos artificiais não lhe adormecem. Ardem os olhos e apertam a garganta...
Amou calada e calada sobrevoa nuvens... Não tem mais um amor atravessado na garganta, mas ainda sente um homem impregnado na alma. Odeia ser dramática, mas está. Se expôs quando pôde, mas chegou atrasada. Sonha acordada o amor que liberta.
Gerou este amor por oito meses. O viu crescer desde a semente... Amou sozinha, sem saber que o que guardava no útero, na alma, em calma, era também esperado por quem aguardava. Teve o amor enganado pela poesia... Quem diria?
Hoje afetada pelo afeto, embala esse amor como quem adormece o filho indefeso que nunca lhe veio... e que mesmo assim, entre teus braços e abraços vazios, depende apenas dellla para sobreviver. Teu amor não dorme e a olha fixamente com tanta ternura que ellla chega sentir o peso do que não lhe pesaria.
Voa novamente por outra área de instabilidade... ainda no sentido oposto do que lhe prometia em tantas fantasias, a tal da felicidade... Intensa, distenciona as mandíbulas e pela janela avista o infinito... E o que assiste, vai além de ser bonito... De um lado a noite, e vênus brilhando para o amor, do outro lado, há um sol anunciando o dia e todo o céu lhe dá vontade de cantar e chorar. Como belo e infindo é o que ellla insiste. Não desiste de amar.
Canta em pensamento, "te prometo o sol, se hoje o sol sair... ou a chuva" e chora em silêncio. Sente como se fosse prece. Lamenta a falta de pressa. E ainda assim sem saber o porque, agradece.
E percebe que nada mudou... Vive e deixa viver... Ama e deixa amar...
Quem sabe algum dia, as almas, além dos olhos possam se indentificar novamente e o amor florescer em outra estação, que não nessa primavera, em perfeita comunhão.
Dentro de alguns minutos estará voltando a vida real, seus pés estarão pisando o chão e ellla desembarcando com a alma lavada, no Galeão.