sexta-feira, 6 de novembro de 2009

voo de rapina


sinto os pés no chão, mas me instiga o espírito do voo.... me atrai o olhar da águia e a leveza de ser sustentada, pela força do invisível vento.
às vezes me sinto quase lá... mas é preciso mais que o vento. é preciso coragem.
coragem para optar entre envelhecer na beira do abismo ou planar entre constelações e nebulosas e também rumo ao infinito que se faz entre o mar e o sol, mas sempre em direção a um universo desconhecido, com minhas graciosas asas douradas e tão suspensa quanto surpresa pelo que se abre aos olhos, sobre o mistério do céu.
entre cores e flores desabrocham amores selvagens e sensíveis, entre serpentes e orquídeas especialmente observadas por elfos e ninfas. Fauna e flora em festa, refletida na minha retina águia, que se espalha no espelho das águas.
voo solamente solo, e no solo nada de seca, sinto o cheiro doce umidecido e verde, da floresta fresca e seus talos tenros.
e como ave de rapina, avisto um homem. o único. me atraio. sobrevoo, rodeio. ataco. direto no coração.
(...)
talvez fosse ele, quem soubesse me amar e incondicionalmente fosse a sua única condição, pra toda e qualquer forma rendinção.


(eu não matei o amor?)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

poemicídio



não há poema que descreva, o que se passa nesse vácuo agudo que eu sinto no meu peito.
e eu, não encontro mais respostas no silêncio que pronuncia em seus versos, para as perguntas que te lanço e não te alcançam. e sei, te cansam.
existem outras cores de olhares que me atraem, mas se dispersam e se distraem, quando as busco no lusco fusco de monólogos desconexos.
essa mulher que sob refletores domina a multidão, é a mesma que se desmonta no breu solidão.
não há poema que eu faça que transmita, que não há amor no mundo que resista a qualquer falha de atenção. e eu não busquei isso. eu, isso não.
eu fui pra longe e tão pra dentro de mim mesma, para provar que o amor é o banquete e nunca, jamais a sobremesa.
me ofereci pra tua ceia em noite de lua nova, mas tua barriga estava cheia e você cheio de prosa. você há tempos é meu fogo, e talvez por isso que me seque. a rosa.
e só porque pelo que sinto eu tenho fidelidade, eu ainda bebo as lágrimas da minha vontade e nos raros dias, em que sempre distante eu mais me afasto, eu estática atesto: que eu te provoco e te testo, porque eu te amo e eu te detesto.
e por mais explícita que eu sempre seja, você não me entende, porque não mais deseja e me desdenha como quem descarta restos.
e eu, a quem aplaudem e chamam de poeta, ainda me exponho nos meus gastos versos. eu sei, ultimamente tenho pecado pelo excesso.
mas, se você quiser exterminar tua consistente constância de meus poemas, que o faça agora!
seja meu algoz, o meu caçador... estou de peito aberto, mate esse amor!
mas quando encarar o raso dos meus olhos, e o nada de brilho lhe for indigesto, que por mim pela última vez, você se entregue... te peço esse último gesto.

seja um réu confesso.


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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

afeto no alvo. acerto?



(replicante, explicitamente implicante)

sou bicho que escreve, ama e trepa com os próprios versos... incestuosamente, já que de mim são expelidos - percebam o parto de um poema.

e o cheiro de sangue que dele exala, espalho por entre as coxas... e as coisas muitas que lhe ofereço loucas, degusto aos poucos na frente do espelho com dedos úmidos dentro da boca.

e preciso agora e sonho sempre, de quem se entregue louco e todo, num sussurro rouco...

sou mulher bicho, que cura feridas com largas lambidas em noites insones, lembrando o terno que me consome, e o devasso encontro que o tempo faz pouco - mas eternizo na infinda fome, gemendo versos que atinjam o alvo, do afetado afeto do escolhido homem.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

AgEnDa De pErFoRmAnCeS PoÉtIcAs

MoLA - CIRCO VOADOR
DIA 28 DE OUTUBRO 20h - ELEELLAEUMADELLAS - (música e performance poética)
com Barbara- Ella, Carlitos e Sheyla de Castilho

21h - ELLLAS & OS MONSTROS - com a performance poética, sonora e performática: FAZ CINCO BOCAS QUE EU NÃO TE BEIJO
com Clauky Boom, Lucky Leminski, Sheyla de Castilho e Isa Blue

dia 30 de outubro, 20h- NOVOS UIVOS (COMBOIO N.U.) com a performance: NINGUÉM CHORA MAIS
com Sheyla de Castilho, Barbara-Ella, Tiago Miçanga, Sérgio Gerônimo, Graça Carpes, Tubarão, Carlitos e Adrian Monteiro

programação completa em: http://www.circovoador.com.br/mola2009/


REVIRA JOÃO - sexta - 13 de novembro - ELLLAS E OS MONSTROS - SESC São João de Meriti (próximo a estação Pavuna) das 19 as 22h - ENTRADA FRANCA


ARAKA - 00 - 10 DE NOVEMBRO - PERFORMNACE SOLO Sheyla de Castilho

CASARÃO MANGO MANGO - sábado 14 de novembro - ARTEFÍCIOS DI-VERSOS- nova performance envolvendo poesia, música, corpo e tintas - com Sheyla de Castilho, Tony Zanon e Alexandre Blasifera.
Rua Joaquim Murtinho, 587 - Santa Teresa

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

obrigada!


SILÊNCIO
minha poesia, também é feita de silêncios
surge de amores que invento
e dos pavores que eu não sustento...
minha poesia se derrama no centro da cama
e ilude que é toda ela, pro (ultra)passado que se engana
e molha a ponta das minhas asas
minha poesia não tem casa
arde e queima feito brasa
tem cheiro de maresia
olheiras de boemia
e no breu da noite fria
é minha poesia quem me guia.
minha poesia é minha mentira verdadeira
e é também, a minha maldade derradeira
é pra quem me segue e me odeia
mas que invade, bate e fica
em quem debocha e me critica
mas minha poesia já morreu
pra você que me perdeu
e eu sei que nunca me esqueceu.
minha poesia hoje é feita de silêncio,
pois não abro minha boca pra falar palavras loucas
e depois de tanto grito, essa noite (e há tempos) eu insisto
em não dedicar nenhum poema, para aquela coisa que foi pouca.
apenas me calo de braços abertos, esperando o forte e certo
que já me espera no caminho
com verdade e corpo/ninho...
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foto: sheyla de castilho por ana paula bandeira
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

eu comigo.

video

insônia...

eu no quarto, eu com ele, eu sem ele, eu por cima, eu por baixo...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

(t)eu


um espelho me rouba a alma e me vejo como uma escrava de modernos tempos. no peito a ardência e pelos poros transpiro indecência. filosofo com meu reflexo e como um refluxo, regurgito o que me rejeita, engulo seco e reflito. constato o que me afeta. o mal dos modernos tempos, é a falta de afeto. Volátil se torna o empreendimento, de sustentar qualquer forma de envolvimento. cada um tem o seu tempo. respeito, mas lamento.

minha loucura não me assusta quando é surto criativo e intrigante, revelado e relevante que instiga. me agarro em minha função de artista e te convido para um mergulho no abismo...
mas não mais abismado quero ver, o que vi em teus olhos fugidios, quando eu tinha a boca sem nenhuma poesia e te encharcava de verdades nuas, minhas.

e não fiz por crueldade. foi a mais urgente necessidadade e a mais oportunista vontade.
confesso, foi puro egoísmo... desejo de por você ser amada sem dia nem hora marcada. e foi por não mais sustentar a mentira da despretenciosa amizade, pra satisfazer o meu lirismo e não mais padecer de doce saudade.

não me isento de dias de sofrimento, confesso que em certos momentos eu o acho inclusive bonito, tal como o sol que vi nas nuvens nascer amarelo, eu acredito que amar é um elo, e ainda há um consolo que corre paralelo, mas no infinito, se cruzam esses dois sentimentos... isso eu chamo de amor. é a cura da ferida e naturalmente, são coisas da vida...

ainda sonambulo entre espinhos e buscando esse deus (se há-deus) e te entrego a prova, essa prosa escrita no tempo eu, do que em mim há de nós. aperto o nó. sem dó.
e se por acaso existe algo em mim que te dói, entenda que isso em mim, corrói. mas não corro do que me atrai, eu te atraio pro que te trai. se você não vem, eu vou atrás... quando se ousa por amor, isso pra mim tanto faz. dou valor e sinto paz.

mas eu ainda me sinto mesmo vagueando no deserto e comendo as flores que brotam nos cactus de espinhos eretos... mas quando eu te avisto vestido de deus... (oh, meu deus! entenda...) que acaricia a vulgaridade sagrada de um poema, da forma exata que eu mereço, eu sinto que por isso eu não te esqueço, porque pra isso eu não quero fuga, isso eu sei não existe preço e não tem antídoto ou cura.
hoje sou eu, mas tem dias que sou ellla... mas sempre que tua, sou nua e crua...
eu sou a sensata santa que te ora e também a devassa puta que te curra!
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domingo, 11 de outubro de 2009

voo 3355



Estava voando à 70% da velocidade da luz...

Voava lacrimejante entre estrelas, na direção oposta ao amor que sente e aposta. Pagou para ver e sobreviveu.

Arde um amor que não se alimenta de presença e que cresceu na falta.

Nesse exato momento, passa por uma área de turbulência e não sente medo. Turbulenta é a vida, as apostas, os desejos e derrotas.

Seria mesmo doce morrer no mar? Seria talvez essa forma de se matar um amor, o afogando no sal que não de lágrimas? Seria o alívio da língua, para a recusa da boca oferecida, como quem se oferta uma flor?

Belo, pensa, mas não cultiva margaridas por receio de secá-las. Prefere cultivar as bromélias e cactus. Espinhos não ferem além da carne.

Agora plana no céu ,assim como planam aéreos os seus planos, e da janela não lhe assusta a noite escura... Sente muito, sente tudo e se sente só. Paraísos artificiais não lhe adormecem. Ardem os olhos e apertam a garganta...

Amou calada e calada sobrevoa nuvens... Não tem mais um amor atravessado na garganta, mas ainda sente um homem impregnado na alma. Odeia ser dramática, mas está. Se expôs quando pôde, mas chegou atrasada. Sonha acordada o amor que liberta.

Gerou este amor por oito meses. O viu crescer desde a semente... Amou sozinha, sem saber que o que guardava no útero, na alma, em calma, era também esperado por quem aguardava. Teve o amor enganado pela poesia... Quem diria?

Hoje afetada pelo afeto, embala esse amor como quem adormece o filho indefeso que nunca lhe veio... e que mesmo assim, entre teus braços e abraços vazios, depende apenas dellla para sobreviver. Teu amor não dorme e a olha fixamente com tanta ternura que ellla chega sentir o peso do que não lhe pesaria.

Voa novamente por outra área de instabilidade... ainda no sentido oposto do que lhe prometia em tantas fantasias, a tal da felicidade... Intensa, distenciona as mandíbulas e pela janela avista o infinito... E o que assiste, vai além de ser bonito... De um lado a noite, e vênus brilhando para o amor, do outro lado, há um sol anunciando o dia e todo o céu lhe dá vontade de cantar e chorar. Como belo e infindo é o que ellla insiste. Não desiste de amar.

Canta em pensamento, "te prometo o sol, se hoje o sol sair... ou a chuva" e chora em silêncio. Sente como se fosse prece. Lamenta a falta de pressa. E ainda assim sem saber o porque, agradece.

E percebe que nada mudou... Vive e deixa viver... Ama e deixa amar...

Quem sabe algum dia, as almas, além dos olhos possam se indentificar novamente e o amor florescer em outra estação, que não nessa primavera, em perfeita comunhão.

Dentro de alguns minutos estará voltando a vida real, seus pés estarão pisando o chão e ellla desembarcando com a alma lavada, no Galeão.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

enquanto o amor não vinha

no quadrado do seu quarto não adormecia.
não, enquanto não era dia...
ardia, chorava, queria, sorria... falava sozinha.
pontuava e escrevia.
o real e o absurdo...
e nessa noite tudo que sentia, mais forte vinha,
então desabafava com o criado mudo.
e surdo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

ardorosa patética prosa

descobriu enfim, que a ausência não lhe era mais tão árida, que era só saudade do desejo e do calor que exalava daquela pele pálida...
não sabe ao certo o instante em que essa descoberta se deu, mas apenas percebeu, uma necessidade imensa de rasgar o peito e libertar o cansado coração, delicado camafeu.
e ao som de uma única lágrima, rompeu com as unhas a carne, por fim as costelas - limitantes gaiolas daquele amor... que agora tinha por raso, e o assistia... como quem perde uma estrela sobre uma nuvem turva, como quem desperta de um sonho real e pesado com uma mão calejada a lhe estalar na face, num tapa sem luvas.
talvez não fosse tão doloroso, sentir o próprio coração bater entre as conchas de suas mãos, o que mais lhe comovia, era o calor que dele saía e que a pálida pele não mais recebia.
os finos dedos e os olhos semi cerrados, apenas sentiam o pulsar trêmulo, do que nele ainda sobrevivia.
acariciava o próprio coração com o polegar, assim, como quem acaricia um pássaro bem novinho e sempre quando caía a madrugada, sob a luz de vênus ao lado da lua, o embalava com canções antigas de um rockstar, lhe poupando das aventuras das frenéticas ruas. nua e embriagada de luz da lua a lhe pratear.
(única luz que se expunha, na intuitiva intenção de o curar.)
nesses momentos, sentia acelerar o seu palpitar e num beijo de boa noite, do próprio coração sentia o paladar. a cada dia mais doce, e ainda que metálico, o gosto ferroso guardava debaixo da língua pra que jamais esquecesse - do vazio que ecoa no peito, ao se ter o coração entre as conchas das mãos - e assim, dia após dia, foi cuidando e curando com seu jeito sem jeito.
ontem ainda, quando a insônia lhe acendeu a madrugada e o que lhe restava fazer era silenciar, pode sentir o soar de um suave cantarolar, de uma antiga música rock que fala de amor, por dentro do peito bem atrás da cicatriz que restou, e sorriu encantada, pois um coração a cantar na madrugada, é sinal que a chaga aberta que quase definitivamente o sequelou, um dia sim, cicatrizou...
e quando a luz do dia, lhe anunciou o momento de dormir pelos olhos que ardiam... passou os dedos finos e longos pelo contorno da cicatriz em forma se xis e tão sozinha quanto ardorosa, pensou em novamente ser feliz e rascunhou nas entranhas, com a pele em chamas e a boca transfigurada em rosa - pois ofertada nos beijos que não provou- essa estranha, poética, patética prosa...
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