sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


viverei plurais metamorfoses, insensível à boca aberta de desdentada víbora, desenvenenada por causas perdidas.
ah, vida... te levarei nos lábios sorridentes, repletos de possibilidades infindas e ainda, onde o plexo arde quando o homem bicho na nuca ruge e o suor pinga.
à ele, ofereço meu sorriso aberto de olhos fechados, como a boca que vira flor, ao ser ofertada nos beijos que lhe dou.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

dev'orar


é prece nossa pressa em dev'orar.
doce fome de nos perder no tempo.
aguardo. e te guardo na intensidade volátil do ato.
meu amor é muito maior que os gemidos no teu quarto.
mas meu desejo é silêncio.
potente. imenso.


(sheº



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intertexto denison mendes.
foto: aaron bondaro.

domingo, 16 de outubro de 2011

4 mg de insonidade




abstraio faminta o indecifráfel que devora
abstraio faminta o indecifráfel que me devora
e deitada sobre o limo da pedra, sob a insistência infinda de subverter as certezas do apego dos desgarrados, me chovo agora.
meu altar é carne de belezas sagradas. vermelhas e pálidas.
indecentes gemer de poros em atrito. solidão do beijo ao grito.
de olhos fechados, me embrenho em meu caleidoscópio labirinto de luz extasiada.
me expio por dentro e sorrio das minhas cicatrizes de incêndio apagadas
hoje, eu amanheci a madrugada, e quanto a isso, não há de se fazer nada.
em solo muda. nua. despida do inatingível do mundo.
e quando cairem ao meu redor, deuses de metal, lábios ou barro,
repousarei serena o sonho dos desertados.
pois talvez, sim, amarão os fragmentos de meus estilhaços.
caguei pros meus pecados!

(sheº

terça-feira, 6 de setembro de 2011


de tão oca, louca.
e transitava tristonha e traslúcida no tic tac nervoso do tempo.
nas artérias trafegavam sustos, insultos e incertos surtos.
espiguetas floríferas brotam insanas nos ouvidos:
- calem-se!
pois o passado é morto e absurdo.
sim, eu matei o sagrado em legítima defesa do meu medo. mas com fé. ré confessa.
para traumas e abandonos há de se tecer casulos plangentes...
um dia quem sabe, tornarão-se doces as lonjuras
e entornarão no dorso o mel do fel.
que seja o antagonismo do hoje, essa dor de exílio encapsulada, que desce dura pela garganta arranhada, a misericórdia de minhas misérias e o acalanto do urro da besta fera.
sou a própria verborragia mítica, mística de quem não tem o que explicar.
porém, no suplício suplico: conjuga-me presente e sem pré julgamentos os meus fragmentos soltos ao léu, pois meus cacos espelhados espalhados, refletem olhos que miram miríades de outros calmos céus.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011


asas escapam das escápulas.
escapulo em um salto sem pressa e voo plena.
traço planos entre as copas verdes das vermelhas cópulas.
fagulho- me sobre frutíferas florestas.
espalho o pólem dos mistérios de amores ungidos, que pela doçura de um milagre floreiam em festa.
ardo em flores e fome, queimo em seivas e mel, curo dores e adoço o fel.
por mero acaso, desacato o ranço do descaso.
no fim do ato, serena pouso e com um sorriso raro, aceito aplausos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011


desnudo-me foliã.
nos devaneios de um copo alvorecido, jogo-me em espaços indescritíveis e indecifráveis.
flutuo em vácuos de caminhos ocos.
evoco o peso do céu em versos que me habitam, que habilitam vozes ecoantes no labirinto infindo do fundo de mim.
no lugar que pressinto, repousam no chão os meus passos e rastros rasantes de querubins .
estradas me abarcam, estrelas me chovem e ventos me guiam.
não sou pássaro.
sou quem passa e pousa em fios de tensão.
alta voltagem na veia é minha volúpia e distração.
é a desculpa sacana e risonha, pra toda forma de cura das tolas indiscutíveis culpas em jorros de negação.


foto: sheyla de castilho por mariana quintão

quinta-feira, 16 de junho de 2011

http://youtu.be/D-5DXJbYuQo

in

essa pessoa grata. afetada pelo afeto. essa pessoa feto, letra e graça. essa pessoa lenda. unicórnio e oferenda.
essa pessoa scorpion, virgo, lion.
essa serpentepessoa lisa, lesa, livre, prenda.
essa pessoa só, sol poente, saliva indecente. essa pessoa eu, nós com o mundo.
nesse bando brando, parte dessa banda insana de indigentes in- mudos.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

me chuva

entrelaçando fetiches e fantoches, arranho a marca feita de hálito na boca minha que te foi beijo.
o resto que não descarto, agrava-se no meu canto agudo.
a parte divina da carne, fez-se sombras que se beijam.
a chuva molha a cidade, e sem perceber nos incendeia.
o vento é frio e o peito arde, ainda que você não saiba,
por mais que eu não deva, ou ainda que não se possa,
por mais amor que a gente queira.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

avemariacheiaderock

criador, criatura. o olho tão lento lente que flash. sujeira e luz.
arte com fé.
ave maria cheia de rock.
om mani padme hum...
oh, yeah!

visitem:

foto: sheyla de castilho por mariana quintão
intervenção: Sam Johnson




sexta-feira, 6 de maio de 2011

ARRANHO SURREAL MADRUGADA E TAL




escamam interrogações que conspiram sombras e sumos em meio ao espasmo do grito do olhar. lágrima presa entre cílios. reinam ruídos de acordes de um nunca dentes na nuca que me prenderam pelo instintivo faro. falo. há um fio vermelho dolorido além do espanto que tento esperançar nu no futuro ou quem sabe em segredo lançar a falácia fumegante ao profundo finito do mar. o que buscava perdeu-se no desvio e me deixou em vão. esfarelam-se estrelas no céu da minha boca aberta. pois seca. tua palavra trovão choveu no útero e dos olhos ventaram absurdos abstratos por atos que nunca por nós escolhi. encolhida ainda deixei que bailasse um beijo em minha boca ofertada em flor. lábios ainda buscam amor carnívoro da língua fálica que não acolhi.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

elllas e os monstros no sarau criar

sarau criar victor biglione - 30 de abril

fotos: mariana quintão

meu olho partiu horizonte em voo, lambendo as nuvens baixas em véu, assim como quem procura a cura que sara a cuca, cuspindo o juízo que rompe a carne e ela desculpa, meu olho aterrisou sem culpa na flor de um escarcéu. meu olho boiou no céu, no gozo sereno do gosto de féu, meu olho saudade... pousou descalço no laço de um abraço, contou vantagem, cantou saudade, pediu vontade. meu olho voltou em correntezas e sob tempestades e agora é o peito que dentro arde. línguas e labaredas. todo corpo paga o alarde.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011


vocifera feroz a dor da ferida,
a fala ferina do fim dessa tarde.
alarde em dias quentes,
insônia que range dentes
anjos da guarda com asas laminadas
de olhos severos e peito em brasa
contenham a fúria do cair dessa noite
e as palavras chibatas usadas como açoite!
segredarei sussurros cantados ao travesseiro
num deja vú patético que cerra o medo
mas escoam agora. ecoam segredos,
diante das bolhas do mofo no espelho.